Francisco
de Assis
Pereira
Apresentava-se como alguém capaz de abrir uma porta: um trabalho, fotografias, uma oportunidade. A armadilha começava quando a promessa saía da cidade e entrava no Parque do Estado.
DOCUMENTAÇÃO IPE · Revisto em 27 de julho de 2026 · fontes no fim
Francisco de Assis Pereira ficou conhecido como “Maníaco do Parque”. Antes do rótulo, existiu um método: perceber uma expectativa, parecer credível e transformar confiança em isolamento.
A PROMESSA
Não abordava as vítimas com uma ameaça.
Pereira apresentava-se como fotógrafo ou caçador de talentos e propunha trabalhos de modelo. A oferta ajustava-se a uma possibilidade real: visibilidade, dinheiro ou entrada numa profissão. Era essa plausibilidade — e não uma aparência imediatamente ameaçadora — que permitia iniciar o contacto.
O LIMIAR
O parque parecia apenas o local da sessão.
As mulheres eram conduzidas ao Parque do Estado, na zona sudeste de São Paulo. À medida que se afastavam de áreas movimentadas, diminuíam as possibilidades de pedir ajuda. O método dependia de uma transição gradual: cada passo parecia ainda compatível com a promessa anterior.
AS SOBREVIVENTES
Os testemunhos deram forma ao homem procurado.
Mulheres que sobreviveram relataram a abordagem, as falsas propostas e as agressões. As descrições ajudaram a investigação a construir um retrato e a ligar ocorrências que, isoladas, podiam parecer diferentes. Um cartão com um nome e contacto também aproximou a polícia da identidade do suspeito.
A FUGA
Desapareceu quando percebeu que o padrão tinha sido reconhecido.
Pereira deixou São Paulo e foi detido em Itaqui, no Rio Grande do Sul, a 4 de agosto de 1998. Regressou sob escolta no dia seguinte. Os processos resultaram em múltiplas condenações por homicídio, violação e outros crimes; a soma das penas ultrapassou duas centenas de anos.
A proposta parecia uma oportunidade.
Vê a reconstrução documental do Arquivo IPE sobre a promessa, o parque e os elementos que permitiram identificar o suspeito.
ASSISTIR AO REEL →A oportunidade era a primeira porta.
ABRIR A VERSÃO APARENTE
Uma proposta plausível de trabalho fotográfico, apresentada por alguém que sabia transformar atenção em credibilidade.
A promessa permitia deslocar a conversa para fora do espaço público e produzir isolamento de forma gradual, antes de a ameaça ser reconhecida.
Fontes e contexto
- Folha de S.Paulo — detenção em Itaqui e regresso a São Paulo
- Folha de S.Paulo — provas reunidas pela investigação em 1998
- Tribunal de Justiça de São Paulo — memória institucional do julgamento
- Imagem de abertura: representação editorial ilustrativa, não uma fotografia documental. Conteúdo sem imagens gráficas e com respeito pelas vítimas.